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GRANDE ENTREVISTA

Entrevista RH Magazine 77
Luís Portela
Chairman da Bial

Entrevista por:

Vanessa Henriques
Recursos Humanos Magazine
vanessa.henriques@rhmagazine.publ.pt
Para ter acesso à entrevista completa tem de ser um membro RH Plus clique aqui.

Tendo-se licenciado em Medicina, exerceu actividade clínica durante alguns anos no Hospital de S. João, no Porto. Chegou a especializar-se em alguma área?
Trabalhei em psicofisiologia e preparei-me para fazer o doutoramento em Cambridge, pois ganhei uma bolsa para fazer o doutoramento. Mas, entretanto, o meu pai tinha falecido, e assim optei por deixar a minha carreira e dedicar-me à empresa. Não cheguei a terminar a minha especialidade.

Paralelamente foi docente na Universidade do Porto.
Sim, exactamente. Dei a cadeira de Psicofisiologia durante seis anos.

Foi a circunstância de leccionar a cadeira de Psicofisiologia que o levou a interessar-se a fundo pela investigação científica?
Quando quis desenhar a minha carreira profissional no âmbito da Medicina, gostava muito do contacto com o doente mas gostava também da parte da investigação e de leccionar. Imaginava a minha carreira como investigador e docente universitário. Como não foi possível fazer esse percurso naturalmente, o facto de ter estado ligado à investigação e de ter querido seguir uma carreira de investigação por mim próprio teve consequências nas grandes opções que tomámos na empresa. Por outro lado, a minha formação de médico e de investigador sempre me ajudou a perceber melhor os rumos e os caminhos que ditam as grandes opções estratégicas da indústria farmacêutica.

Porque decidiu abandonar a carreira médica e dedicar-se em exclusivo à gestão de empresas?
Porque o meu pai faleceu quando eu estava a meio do curso. O meu pai faleceu com 50 anos, muito jovem ainda. Ainda fiquei alguns anos a tentar perceber o que devia fazer, mas, como não conseguia vender a minha quota da empresa e queria fazer o doutoramento em Inglaterra, optei por deixar a minha carreira e dedicar-me exclusivamente à empresa. Costumo dizer que esta era a única empresa pela qual eu poderia fazer isso, ou seja, não sentia nenhuma vocação para empresário, tinha era uma grande admiração pela obra do meu avô e do meu pai.

Com que idade assumiu a liderança dos laboratórios Bial?
Com 27 anos.

Sendo tão jovem, foi fácil impor as suas ideias e liderar a equipa?
Impor não, conquistar. Quando assumi a liderança da empresa estávamos em 1979, poucos anos depois do 25 de Abril, e tinha a noção que era muito importante conquistar as pessoas. Eu sempre pensei que a maior riqueza das instituições são as pessoas. O meu ideal era conquistá-las e juntamente com toda a equipa percorrer um caminho, que eu sabia que iria ser muito difícil. Não tinha a noção se iria ser capaz ou não, mas felizmente fomos conseguindo e assim fui fazendo um percurso muito simpático.

Quantas pessoas integravam a Bial nessa altura e actualmente?
162 pessoas e actualmente 820 pessoas. Nessa altura, estávamos apenas em Portugal e agora estamos em diversos países. Estamos a vender produtos Bial em 50 países.

Desse universo de pessoas, quantas é que estão dedicadas à investigação?
120 pessoas.

De quantas patentes é a Bial detentora actualmente?
Somos detentores de mais de uma centena de patentes. No entanto, são seis as patentes de produtos e potenciais novos medicamentos a irem para o mercado. Um já se encontra no mercado, que é o antiepiléptico Zebinix. Temos ainda mais cinco potenciais novos medicamentos a irem para o mercado ao longo dos próximos anos. Para cada um desses medicamentos temos diversas patentes.
 
Quais são as áreas médicas em que a empresa desenvolve pesquisa?
Sistema nervoso e área cardiovascular.

Sob a sua presidência, a Bial tornou-se a primeira empresa farmacêutica internacional de inovação de origem portuguesa. Quando teve início a internacionalização?
Quando assumi a liderança da empresa no início dos anos 1980, decidimos que as linhas estratégicas para o desenvolvimento da companhia seriam a qualidade, a inovação e a internacionalização. Começámos a investir em qualidade de imediato. Em 1993, criámos o nosso departamento de investigação e um pouco antes, por volta do ano 1988, começámos a internacionalizar-nos. Começámos pela África de expressão portuguesa, depois a África francófona, América Latina, Europa. Hoje estamos em cerca de 50 países.

O processo de internacionalização tem também sido conseguido através de aquisições…
Algumas. Em Espanha fizemos uma aquisição, em Itália também e em Moçambique fizemos outra aquisição. Em alguns países temos feito aquisições. Noutros começamos a partir do zero.

Recentemente a Bial integrou um director-geral para a internacionalização. Qual é a estratégia e os objectivos que estão aqui subjacentes?
A Bial tem como objectivo uma forte internacionalização da empresa, o que implica estarmos no primeiro mundo. Em 1988, começámos por África, depois pela América Latina e só nos anos mais recentes é que viemos para a Europa. Na Europa, estamos com alguma dimensão em Espanha, Itália, Chipre e Malta. Nos grandes países europeus, estamos presentes através de empresas licenciadas por nós, mas queremos alargar a nossa presença no continente europeu. Nós entendemos que uma empresa verdadeiramente internacional tem de ter uma presença forte no primeiro mundo. Os Estados Unidos, para nós, são mais complicados, pela dimensão do mercado, e o Japão e a China estão muito longe, pois têm hábitos de prescrição bastante diferentes dos nossos. Entendemos que é na Europa que temos uma maior apetência e é aí que estamos focados nos próximos dez anos.

O estabelecimento de parcerias internacionais é uma prioridade da empresa?
Sim. Nalguns países não temos dimensão para estarmos presentes, como por exemplo nos Estados Unidos, então procuramos fazer parcerias com empresas norte-americanas para distribuírem os nossos produtos. No Extremo Oriente, no Japão, na China e na Coreia do Sul é assim que negociamos a comercialização dos nossos produtos, através de distribuidores licenciados pela Bial.

Qual é presentemente a quota de mercado da Bial?
Em Portugal, a quota de mercado é de 4%. O mercado farmacêutico continua muito pulverizado, em Portugal e no mundo.

Do orçamento da Bial, qual é a parcela dedicada à investigação científica e inovação?
Normalmente temos investido cerca de 22% por ano. Em alguns anos temos investido um pouco mais.

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